A palavra empatia ganhou grande visibilidade nas mídias e redes sociais recentemente. Porém, você vai descobrir que essa “novidade”, na verdade, já estava presente na vida e nos ensinamentos de Cristo. Você já vai entender!
Diferente do que alguns pensam, empatia não é um sentimento. Então, não nos sentimos empáticos. Na verdade, a empatia é uma habilidade emocional que possuímos ou que podemos desenvolver.
Essa habilidade nos permite reconhecer as emoções de outra pessoa. Logo, compreender seus sentimentos e até mesmo reproduzi-los. Em outras palavras, empatia é colocar-se no lugar do outro, buscando sentir e enxergar as coisas a partir do seu ponto de vista.
Em primeiro lugar, a palavra empatia deriva do grego “empátheia”, cuja tradução livre significa “compaixão”. Já, no dicionário, “compaixão”, que é uma palavra muito utilizada nas Sagradas Escrituras, significa: cuidado, empatia, compreensão do estado emocional do outro e caridade – esta última é mais uma palavra que encontramos com frequência na Bíblia.
Portanto, acredito que agora você começou a compreender porque dissemos que empatia está enraizada em Cristo!
A empatia promove a união, a comunhão. Desse modo, é praticando-a que estaremos atendendo a recomendação do apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja: “tende todos um só coração e uma só alma” (1Pe 3,8).
Empatia: uma porta aberta de acolhimento
Outra palavra que podemos acrescentar aqui – que faz muito sentido para os cristãos – é “misericórdia”. Como já sabemos, olhar o outro com misericórdia significa acolhê-lo, independentemente de sua realidade, sem julgamentos ou críticas. Isso é praticar a misericórdia.
Agir com misericórdia, ou com empatia, é ouvir o outro, compadecendo-se por sua dor. É fazer o que está ao nosso alcance para ajudá-lo, seja com palavras, gestos ou atitudes concretas. É acolher o outro em sua realidade, buscando compreender suas atitudes e o que ele vive em seu interior.
Acolher o outro, com misericórdia ou compaixão, nos ajuda a compreender o seu comportamento em determinadas circunstâncias. Nos ajuda também a compreender suas decisões.
A empatia rompe com nosso orgulho, egoísmo e preconceito.
A empatia torna a evangelização mais eficaz
Na prática, esse sentimento de compaixão aproxima as pessoas. Pois bem, quando se trata de evangelização, desejamos conquistar o maior número de pessoas para Cristo. De que maneira melhor podemos fazer isso do que olhando para as pessoas?
O apóstolo Paulo é para nós exemplo de alguém que evangelizou com empatia. Logo, o relato de uma de suas cartas deixa nítido que ele se colocava no lugar do outro com um propósito bem definido: conquistá-lo para Deus!
“Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. […]
Fiz-me fraco com os fracos,
a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos,
a fim de salvar a todos” (1Cor 9, 20-22).
Portanto, quando nossas ações de evangelização forem pensadas, planejadas e executadas a partir da empatia alcançaremos melhores resultados. Por quê? Simplesmente porque a compaixão nos ajuda a enxergar as dores e a realidade do outro. Nos ajuda a pensar em ações mais eficazes que o conduzirão para o remédio que precisam: Jesus Cristo.
Você deve se recordar que o Papa Francisco nos motivou a sermos uma “Igreja em saída”. Logo, nas entrelinhas desse pedido, podemos compreender que ele nos pede para termos uma atitude de empatia. Então, buscar o outro em sua dor e oferecer-lhe o que ele precisa, é empatia.
Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o Papa nos alertou para uma situação que pode acontecer justamente por falta de empatia: “Muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa” (EV, 47).
De modo prático
A empatia torna mais fácil a missão de despertar os corações humanos para Deus e manter a evangelização viva. Mas, pode ser que você esteja se perguntando agora: Como colocar em prática a empatia na evangelização?
Podemos resumir tudo em uma palavra: respeito!
Seja nas homilias, em blogpost do site ou blog paroquial, nos informativos da comunidade, postagens nas redes sociais, no relacionamento com os dizimistas… Portanto, não conseguiremos ganhar o coração de alguém para o Senhor com críticas ácidas. Logo, não se trata de “passar a mão na cabeça”. Trata-se, primeiramente, de ganhar a confiança de alguém a ponto de ela seguir o caminho que aos poucos você vai lhe apresentando: o próprio Cristo.
Gisa Prado
Jornalista de formação, com longa experiência na produção de conteúdos para meios de comunicação católico. Atualmente compõem a equipe de Redação na Dominus Evangelização e Marketing. Seu coração está na evangelização!