Projetos Sociais: Qual sua importância no querigma? - Dominus Comunicação

Projetos Sociais: Qual sua importância no querigma?

A Carta de São Tiago traz uma frase que é dita há séculos.  Trata-se de um sinal de clamor pela caridade e pela conversão, e que motiva os projetos sociais de toda a Igreja Católica. Ele afirmou: a fé se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tg 2,14-17).

O próprio Jesus fez da caridade um novo mandamento. “Este é o meu preceito: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Desse modo, a Igreja ensina que a caridade é uma das virtudes teologais (fé, esperança e caridade). Diz o catecismo que é “pela qual [caridade] amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus” (CIC 1822). Por sua vez, a Palavra de Deus a cita como o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14)

Eis a importância dos projetos sociais no anúncio querigmático da Igreja!

A palavra caridade vem do latim caritas, que significa uma comoção por ajudar a alguém. Contanto que,  sem interesse, ou seja, sem a busca de retorno.

A Virgem Maria é, para o católico,  modelo da fé e da caridade (cf. CIC 967). Afinal, ensina isso quando, grávida. Subiu às montanhas para levar ajuda à sua prima Isabel, que recebeu a graça de ser mãe já em idade avançada.

Caridade, maior lei social

A Igreja busca levar para Deus e para o amor fraterno os bens deste mundo. Estes são meios de fortalecer a caridade e construir um ambiente justo e fraterno (cf. CIC 2401). Afinal, o princípio da caridade, “também enunciado sob o nome de «amizade» ou de «caridade social», é uma exigência direta da fraternidade humana e cristã” (CIC 1939).

Além disso, “a caridade assegura e purifica a nossa capacidade humana de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino” (CIC 1827). Desse modo, é mais um motivo pelo qual os projetos sociais são de grande importância ao falar de Deus.

A caridade do cristão aparece sobretudo, na partilha dos bens, porém não apenas nisso. Mas também, “no esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada” (CIC 1940).

O Catecismo ainda aponta que os problemas sócio-econômicos só terão uma solução com a união de todos: “solidariedade dos pobres entre si, dos ricos com os pobres, dos trabalhadores entre si, dos empresários e empregados na empresa; solidariedade entre as nações e entre os povos” (CIC 1941).

Os projetos sociais da Igreja Católica

Há muitos que dizem por aí que a Igreja possui riquezas para si. Acusam de não considerar as pessoas que passam fome mundo afora ou perdidas à própria sorte.

Contudo, não sabem que, através de uma lei divina de amar o próximo, a Igreja Católica possui inúmeros projetos sociais.

No entanto, a caridade praticada pela Igreja é sempre gratuita, totalmente sem interesse. Esse é a diferença diante de caridade, praticadas por outros grupos, que esperam algum retorno, como fama.

O Anuário estatístico da Igreja traz relatórios a respeito dos projetos sociais que ajudam milhões de pessoas. Estas são atendidas de maneira gratuita entre idosos, órfãos, doentes e outros. 

Confira os dados apresentados  em 2020:

  •         5.034 hospitais na América, na África, na Ásia, na Oceania e na Europa;
  •         16.627 instituições voltadas para atender pacientes pobres nos 5 continentes, sendo a maior parte na África, América e Ásia;
  •         611 casas de cuidado de leprosos sobretudo,  na Ásia e África;
  •         15.518 casas para idosos, doentes crônicos e deficientes, na maior parte na Europa e América;
  •         9.770 orfanatos em todo o mundo, sendo 3.900 só na Ásia;
  •         12.082 jardins de infância com maior número na Ásia e América;
  •         14.391 consultórios matrimoniais, na maior parte na América e Europa;
  •         3.896 centros de educação e reeducação social;
  •         38.256 instituições de outro tipo.

Projetos Sociais: O movimento de Ozanam, modelo de fé praticada

Grandes santos da Igreja Católica viveram a prática da caridade.

Santo Agostinho, além de socorrer os pobres, fundou um hospital para peregrinos e resgatou escravos.

No século IV, São João Crisóstomo fundou diversos hospitais de caridade.  São Cipriano de Cartago e Santo Efrém juntos criaram diversos projetos sociais em tempos de fome e epidemias.  

Santa Madre Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres também estão na imensa lista daqueles que não mediram esforços para praticar a fé em obras.

Não podemos deixar de falar dos Vicentinos, fundada na França em 1833. A Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) surgiu a partir do desejo de um grupo de jovens, entre eles o beato Frederico Ozanam. Seu desejo era colocar em prática a sua fé. De que maneira? Ajudando aos desprezados pela sociedade.

O nome para o movimento foi inspirado em São Vicente de Paulo. Um santo que, em seu tempo, praticou sem limites, a caridade entre os pobres .

Hoje, presente pelo mundo inteiro, e a mais de um século no Brasil, os Vicentinos são leigos, homens e mulheres. Com seu trabalho dão testemunho da misericórdia e do amor do próprio Cristo, nos seus projetos sociais.   

A SSVP atua provendo alimentos, roupas e remédios, etc, em momentos difíceis. Desse modo, também tornando possível meios de promoção das pessoas, buscando ajudá-las a se recolocar na sociedade. Além disso, promove também oração com seus atendidos, gerando a fé em seus corações.

A iniciativa da SSVP vai ao encontro do que a Igreja ensina: “A virtude da solidariedade vai além dos bens materiais. Ao difundir os bens espirituais da fé, a Igreja favoreceu, por acréscimo, o desenvolvimento dos bens temporais, a que, muitas vezes, abriu novos caminhos” (CIC 1942).

Conclusão

Amar ao próximo é algo inseparável do amor a Deus. Quem ama o próximo alcança os frutos da caridade: “a alegria, a paz e a misericórdia” (cf. CIC 1829).

Para fortalecer o anúncio querigmático não basta promover um encontro com o amor de Deus. Afinal, Jesus nos pediu: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).  

É necessário, portanto, ajudar para que o fiel realize o desejo do Senhor. Sendo assim, participando de projetos sociais , seja com a partilha de bens ou trabalho de suas próprias mãos.

Gisa Prado

Jornalista de formação, com longa experiência na produção de conteúdos para meios de comunicação católico. Atualmente compõem a equipe de Redação na Dominus Evangelização e Marketing.  Seu coração está na evangelização!

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