Se você atua na linha de frente de uma paróquia — seja como Pároco, Secretária Paroquial ou Coordenador da Pastoral do Dízimo —, provavelmente já ouviu a seguinte frase no balcão de atendimento: “Padre, vim pagar o meu dízimo atrasado do mês passado”.
Essa fala, embora venha de um coração bem-intencionado, revela um dos maiores desafios pastorais da atualidade: a compreensão equivocada de que a partilha é uma obrigação financeira, uma mensalidade ou uma taxa. Quando o fiel enxerga o dízimo dessa forma, o relacionamento com Deus e com a Igreja passa a ser baseado na culpa e no dever, e não no amor e na gratidão.
Mas, afinal, diante dos ensinamentos da Igreja Católica, é certo dizer que quando não é feito a partilha do dízimo, ele está atrasado? É sobre essa reflexão urgente que vamos falar neste artigo.
É certo dizer que quando não é feita a partilha do dízimo, ele está atrasado?
A resposta direta, pastoral e teológica é: não. Não existe “dízimo atrasado”, pois Deus não emite boletos, não cobra juros e Seu Amor é inteiramente gratuito.
Tratar o dízimo como uma conta que vence no segundo final de semana de cada mês é reduzir o mistério da fé a uma transação comercial. Se um paroquiano passou por um momento de dificuldade financeira, desemprego ou problemas de saúde e não pôde fazer a sua partilha em um determinado mês, ele não contraiu uma “dívida” com Deus ou com a paróquia.
Quando usamos termos como “pagar o dízimo” ou “dízimo atrasado”, corremos o risco de afastar as pessoas. Muitos fiéis deixam de participar das Missas e da vida comunitária simplesmente por sentirem “vergonha” de não estarem com suas “mensalidades” em dia. Como Igreja, nosso papel é acolher, e não cobrar.
O que nos ensina o Documento 106 da CNBB?
Para embasar essa visão, precisamos recorrer ao Documento 106 da CNBB (O Dízimo na Comunidade de Fé: Orientações e Propostas). O documento é muito claro ao definir o dízimo não como uma taxa, mas como um compromisso de fé.
Segundo a CNBB, a partilha deve ser sempre um ato:
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Livre: Ninguém deve ser constrangido ou forçado a partilhar.
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Consciente: O fiel entende as dimensões do dízimo (religiosa, eclesial, missionária e caritativa).
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Generoso: Fruto da gratidão pelas bênçãos recebidas.
Portanto, a partilha é a resposta amorosa do coração humano ao amor gratuito de Deus. Educar a comunidade sob essa ótica muda completamente a cultura da sua paróquia.
Da “arrecadação” para a Sustentabilidade Evangelizadora
Nós sabemos que a realidade prática exige recursos. As paróquias têm contas de luz, funcionários, manutenção do templo e, acima de tudo, a missão de evangelizar e cuidar dos mais pobres. Como, então, manter a paróquia se não “cobrarmos” os fiéis?
A resposta está em uma virada de chave fundamental na gestão pastoral: sair da cultura da arrecadação e entrar na cultura da Sustentabilidade Evangelizadora, como vemos no nosso artigo.
Isso significa que o foco não deve estar no envelope preenchido, mas no coração evangelizado. Um fiel que se sente amado, acolhido, que compreende a Palavra e se sente parte ativa da comunidade, partilha com alegria. A consequência de uma evangelização bem feita é, naturalmente, uma comunidade financeiramente sustentável e próspera.
Profissionalizar a evangelização é o caminho
Mudar essa mentalidade enraizada nas comunidades há décadas não acontece do dia para a noite. Exige planejamento, comunicação assertiva, treinamento da equipe de acolhida e, principalmente, uma estratégia clara para a Pastoral do Dízimo.
É exatamente aqui que a Dominus Evangelização e Marketing atua. Nós acreditamos que o nosso coração está na profissionalização da evangelização.
Ajudamos dioceses e paróquias em todo o Brasil a reestruturarem suas Pastorais do Dízimo através da nossa Imersão formativa Dízimo e Evangelização. Capacitamos os agentes e lideranças para que saibam se comunicar de forma estratégica e pastoral, substituindo a cobrança pelo relacionamento, e a culpa pelo pertencimento.
Quando a gestão paroquial se profissionaliza, os agentes pastorais exercem seu papel com muito mais eficiência, qualidade e, o mais importante, sem perder a essência do Evangelho.
Sua paróquia ainda sofre com a mentalidade do “dízimo atrasado”?
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Precisamos melhorar a arrecadação do dízimo em nossa comunidade