“Da alegria trazida pelo Evangelho, ninguém é excluído”. É com essa mensagem que o Papa Francisco inicia a sua exortação apostólica EVANGELII GAUDIUM, também conhecida como a Alegria do Evangelho. A partir desse documento, lançado em 2013, separamos, a seguir, 9 dicas do Santo Padre para evangelizar.
1 – Anuncie o Evangelho com simplicidade e beleza
O papa nos indica a evangelizar por meio de uma catequese querigmática e mistagógica. Ou seja, anunciar o Evangelho de forma simples, apresentando a beleza do Amor de Deus por cada um de seus filhos. Desse modo, explicando que essa experiência é, na verdade, um grande mistério. Vale destacar que a ação querigmática diz respeito ao primeiro anúncio.
“Relativamente à proposta moral da catequese, que convida a crescer na fidelidade ao estilo de vida do Evangelho, é oportuno indicar sempre o bem desejável, a proposta de vida, de maturidade, de realização, de fecundidade, sob cuja luz se pode entender a nossa denúncia dos males que a podem obscurecer. Mais do que como peritos em diagnósticos apocalípticos ou juízes sombrios que se comprazem em detectar qualquer perigo ou desvio, é bom que nos possam ver como mensageiros alegres de propostas altas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem numa vida fiel ao Evangelho” (EVANGELII GAUDIUM, 168)
2 – Proclame palavras que aqueçam os corações
O Papa orienta que os sacerdotes preparem as homilias com palavras que aqueçam o coração dos fiéis. Contudo, essa “dica” serve também para todos aqueles que querem evangelizar. Em especial, aos quje evangelizam por meio das redes sociais, espaço aberto para divulgar a mensagem do Evangelho com ousadia.
“Falar com o coração implica mantê-lo não só ardente, mas também iluminado pela integridade da Revelação e pelo caminho que essa Palavra percorreu no coração da Igreja e do nosso povo fiel ao longo da sua história. A identidade cristã, que é aquele abraço baptismal que o Pai nos deu em pequeninos, faz-nos anelar, como filhos pródigos – e prediletos em Maria –, pelo outro abraço, o do Pai misericordioso que nos espera na glória. Fazer com que o nosso povo se sinta, de certo modo, no meio destes dois abraços é a tarefa difícil, mas bela, de quem prega o Evangelho” (EVANGELII GAUDIUM, 144)
3 – Entre as dicas de evangelizar, promova o diálogo ecumênico
O Santo Padre convida ainda os evangelizadores a viverem um diálogo ecumênico, destacando, sobretudo, as semelhanças na fé e deixando de lado as diferenças. O nosso chamado, como lembra o Papa, é ser um com aqueles a quem Deus nos envia. Desse modo, ter essa consciência de ecumenismo faz cair dos nossos olhos as escamas que muitas vezes nos impedem de ver a beleza da unidade.
“O compromisso ecuménico corresponde à oração do Senhor Jesus pedindo «que todos sejam um só» (Jo 17, 21). A credibilidade do anúncio cristão seria muito maior, se os cristãos superassem as suas divisões e a Igreja realizasse «a plenitude da catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora incorporados pelo Baptismo, estão separados da sua plena comunhão». Devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos. Para isso, devemos abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus. O abrir-se ao outro tem algo de artesanal, a paz é artesanal. Jesus disse-nos: «Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9). Neste esforço, mesmo entre nós, cumpre-se a antiga profecia: «Transformarão as suas espadas em relhas de arado» (Is 2, 4)” (EVANGELII GAUDIUM, 244)
4 – Cultivar a unidade sobre o conflito
O evangelizador tenha consciência de que seu anúncio será baseado na paz que o Senhor deseja oferecer a todos e não no conflito. Este último, inclusive, é algo próprio do homem e não de Deus, pois o Senhor busca gerar no nosso coração a santa unidade e a perfeita comunhão com Ele e com os outros.
“O anúncio de paz não é a proclamação duma paz negociada, mas a convicção de que a unidade do Espírito harmoniza todas as diversidades. Supera qualquer conflito numa nova e promissora síntese. A diversidade é bela, quando aceita entrar constantemente num processo de reconciliação até selar uma espécie de pacto cultural que faça surgir uma «diversidade reconciliada», como justamente ensinaram os Bispos da República Democrática do Congo: «A diversidade das nossas etnias é uma riqueza. (…) Só com a unidade, a conversão dos corações e a reconciliação é que poderemos fazer avançar o nosso país»” (EVANGELII GAUDIUM, 230)
5 – Confie na ação do Ressuscitado e do seu Espírito
A nossa evangelização precisa ser sempre com a ajuda do Espírito Santo, pois assim contaremos com a graça de Deus para anunciar o amor de Cristo por cada um de nós. Confiar nessa ação é fundamental para que possamos contemplar diversos milagres e testemunhar grandes feitos de Deus na nossa missão.
“Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida confiança no Espírito Santo, porque Ele «vem em auxílio da nossa fraqueza» (Rm 8, 26). Mas esta confiança generosa tem de ser alimentada e, para isso, precisamos de O invocar constantemente. Ele pode curar-nos de tudo o que nos faz esmorecer no compromisso missionário. É verdade que esta confiança no invisível pode causar-nos alguma vertigem: é como mergulhar num mar onde não sabemos o que vamos encontrar. Eu mesmo o experimentei tantas vezes. Mas não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciando a calcular e controlar tudo e permitindo que Ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde Ele quiser. O Espírito Santo bem sabe o que faz falta em cada época e em cada momento. A isto chama-se ser misteriosamente fecundos!” (EVANGELII GAUDIUM, 280)
6 – Dicas para evangelizar pessoa a pessoa
Na exortação, o pontífice atenta para a personalização do anúncio do Evangelho. Ele ainda ressalta que não utilize fórmulas prontas na evangelização. Afinal, cada pessoa é diferente. É preciso evangelizar pessoa a pessoa, levando em consideração cada particularidade. Os evangelizadores precisam estar atentos a esse aspecto.
“Não se deve pensar que o anúncio evangélico tenha de ser transmitido sempre com determinadas fórmulas pré-estabelecidas ou com palavras concretas que exprimam um conteúdo absolutamente invariável. Transmite-se com formas tão diversas que seria impossível descrevê-las ou catalogá-las, e cujo sujeito coletivo é o povo de Deus com seus gestos e sinais inumeráveis. Por conseguinte, se o Evangelho se encarnou numa cultura, já não se comunica apenas através do anúncio de pessoa a pessoa.” (EVANGELII GAUDIUM, 129)
7 – Motive o acompanhamento pessoal dos processos de crescimento
A evangelização não termina quando a pessoa que recebeu o anúncio passa a fazer parte de um grupo de oração ou mesmo movimento da Igreja. Entre as dicas para evangelizar está o acompanhamento dessa pessoa em cada passo de sua caminhada. De fato, no grupo ou no movimento possivelmente haverá alguém que ajudará nesse sentido, mas o evangelizador, ou seja, aquele ou aquela que fez o primeiro anúncio do amor de Deus, precisa também se fazer próximo.
“O acompanhamento espiritual autêntico começa sempre e prossegue no âmbito do serviço à missão evangelizadora. A relação de Paulo com Timóteo e Tito é exemplo deste acompanhamento e desta formação durante a ação apostólica. Ao mesmo tempo que lhes confia a missão de permanecer numa cidade concreta para «acabar de organizar o que ainda falta» (Tt 1, 5; cf. 1 Tm 1, 3-5), dá-lhes os critérios para a vida pessoal e a atividade pastoral. Isto é claramente distinto de todo o tipo de acompanhamento intimista, de auto realização isolada. Os discípulos missionários acompanham discípulos missionários” (EVANGELII GAUDIUM, 173)
8 – Conte com a força missionária da intercessão nas dicas para evangelizar
A intercessão também é uma forma de evangelização. E isso precisa ficar claro para todos que exercem a missão de anunciar o amor de Deus, pois é a partir da intercessão que a semente lançada passa a ser regada. Por isso, não é estranho que durante a evangelização nas ruas, por exemplo, o evangelizador leve um bloquinho para anotar o nome das pessoas que encontra para depois rezar por cada uma.
“Os grandes homens e mulheres de Deus foram grandes intercessores. A intercessão é como a «levedação» no seio da Santíssima Trindade. É penetrarmos no Pai e descobrirmos novas dimensões que iluminam as situações concretas e as mudam. Poderíamos dizer que o coração de Deus se deixa comover pela intercessão, mas na realidade Ele sempre nos antecipa, pelo que, com a nossa intercessão, apenas possibilitamos que o seu poder, o seu amor e a sua lealdade se manifestem mais claramente no povo” (EVANGELII GAUDIUM, 283)
9 – Receba o auxílio da Estrela da Evangelização
Entre as dicas pra evangelizar, não podemos nos esquecer do poderoso auxílio que a Virgem Maria nos dá na vivência da nossa missão de evangelizar. Ela é a Estrela da Evangelização que anuncia a chegada do Salvador. Nela, nós podemos confiar e com ela é possível aprender muito sobre o nosso chamado na Igreja.
“Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes. Fixando-A, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque «derrubou os poderosos de seus tronos» e «aos ricos despediu de mãos vazias» (Lc 1, 52.53) é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça.” (EVANGELII GAUDIUM, 288)
Por fim, se você quiser conferir outras dicas do Papa Francisco sobre evangelização, acesse o nosso site e fique por dentro de diferentes conteúdos sobre o assunto.
Jonas Viana
Jornalista por formação, atualmente compõem a equipe de Redação da Dominus.
Seu coração está na evangelização!
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