Um dos grandes desafios na vivência pastoral de uma paróquia ou diocese é a integração pastoral. Nestes quase 10 anos em que venho auxiliando as comunidades paroquiais na implantação de seus planos pastorais, a falta de agregação na realização das atividades evangelizadoras costuma ser uma constante.
As queixas de uma comunidade dividida – sem comprometimento comum pela evangelização – são apresentadas por diferentes públicos: os líderes, os agentes pastorais, o pároco, a secretária, o administrador paroquial. Enfim, todos trazem à tona a falta de uma união que faz toda a diferença no processo evangelizador.
A Palavra de Deus apresenta a unidade como uma necessidade para o anúncio da Boa-Nova. “Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”(Jo 13,35). Ainda na Palavra, vemos Jesus pedir ao Pai: “Que todos sejam um só (…), em nós, para que o mundo creia” (Jo 17,21).
O Papa Francisco, na Exortação apostólica Evangelii Gaudium, afirma: “Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Peçamos a graça de nos alegrarmos com os frutos alheios, que são de todos”.
Mas como resolver o problema da integração pastoral?
Antes de apresentarmos alguns pontos que podem colaborar para que tal realidade alcance a vida da comunidade, vamos entender alguns conceitos fundamentais que podem auxiliar nesta importante missão.
A estrutura organizacional pastoral
É importante compreendermos que toda comunidade paroquial possui uma estrutura organizacional. É nesta estrutura que se desenvolvem toda as atividades evangelizadoras. Mas afinal, o que isso significa?
O professor e doutor em administração, Djalma de Oliveira, autor de diversos títulos sobre planejamento estratégico, define estrutura organizacional como “o conjunto ordenado de responsabilidades, autoridade, comunicações e decisões das unidades organizacionais de uma empresa”.
É fato que não podemos pensar em ter uma comunidade paroquial com a mesma estrutura de 30 anos atrás. Por isso, para que a paróquia seja integrada pastoralmente é preciso uma avaliação da sua atual forma de organização.
Um ótimo exercício para compreender a estrutura organizacional da sua comunidade é desenhar funcionamento da sua organização. Busque, por meio de um fluxograma, esboçar como se estabelece essa realidade. Veja o exemplo abaixo:

Também é fundamental avaliar se hoje esta estrutura está adequada à necessidade da comunidade. Reúna algumas pessoas da paróquia e façam juntos uma avaliação da aplicação desta estrutura. Uma outra dica interessante é buscar avaliar como outras comunidades paroquiais desenvolvem sua estrutura organizacional. Veja na tabela abaixo uma forma simples de realizar esta avaliação.
Público Alvo | Pastoral | Existência? | Necessidade? |
Jovens | Catequese | Sim | Fundamental |
Jovens | Grupo de Jovens | Sim | Fundamental |
Famílias | Pastoral Familiar | Parcial (uma pessoa responsável) | Fundamental |
Turistas | Pastoral do Turismo | Não | Fundamental |
Crianças | Pastoral da Criança | Não | Não precisa |
Crianças | Infância Missionária | Não | Fundamental |
Por que é necessário uma estrutura organizacional bem definida?
Ter uma estrutura organizacional bem definida na paróquia é uma questão de empreendedorismo na evangelização. Sabemos que hoje o mundo muda rapidamente e que também a comunidade cristã precisa adequar-se a esta realidade.
A comunidade paroquial que não mudar sua forma de “fazer” vai ficar para trás. O Papa Francisco alertou sobre a necessidade de uma criatividade missionária: “A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requer a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade” (Evangelli Gaudium).
O escritor Paulo Roberto Motta, autor do livro “Transformação organizacional e teoria e a prática de inovar”, chama a atenção para o objetivo de ter uma estrutura organizacional bem definida que serve para nossas paróquias: “O objetivo de todas as diretrizes de estrutura organizacional será sempre no sentido de estabelecer um projeto capaz de modificar e adaptar a empresa às rápidas mudanças na sociedade contemporânea.”
Naturalmente, os líderes de uma comunidade enfrentam alguns desafios para implantar um projeto organizacional:
A) Adequar as ações da evangelização (plano pastoral). O objetivo é que a comunidade reaja às demandas do local onde ela está inserida;
B) Promover as adequações das ações junto aos agentes pastorais possibilitando a reestruturação organizacional necessária;
C) Adequar a comunidade ao novo modelo possibilitando que os agentes pastorais compreendam a nova estrutura e estabeleçam uma relação de integração pastoral entre si;
Como o Plano Pastoral pode fazer funcionar a integração pastoral
Acredito que o sonho de toda comunidade é ver o seu plano pastoral em execução e sendo avaliado periodicamente. Porém a realidade mais comum é que em muitas comunidades ele vai parar na gaveta sem ser executado.
Mas, por que isso acontece? Há comunidades muito bem organizadas, com uma forte ação evangelizadora e, mesmo assim, o plano pastoral acaba se perdendo. Elencamos alguns pontos que podem atrapalhar a implantação do plano pastoral:
1. Diagnóstico incompleto
Uma importante etapa no desenvolvimento de um planejamento é o diagnóstico. É nessa fase que as necessidades evangelizadoras serão identificadas. Quando fazemos um diagnóstico baseado no “eu acho”, a possibilidade de algo ficar de fora nessa avaliação é grande. O uso de pesquisas adequadas é um ótimo instrumento para elaboração de um diagnóstico mais realista.
2. Falta de alinhamento estratégico
É muito comum ver nos planos pastorais o objetivo geral e os específicos. O que não é comum é identificar os objetivos de contribuição que cada pastoral ou movimento irá trilhar para colaborar no alcance dos objetivos paroquiais. A falta de orientação e a comunicação inadequada acaba por tornar os objetivos do plano paroquial um “peso” para as pastorais e movimentos.
3. Projetos nada práticos
Outro ponto muito relevante para que plano pastoral tenha integração é a elaboração de projetos que sejam claros e bem definidos. Se o projeto não contempla objetivos, indicadores, metas, iniciativas, responsáveis, prazos e orçamento, é muito provável que ele não irá sair do papel. Há também que se considerar na preparação dos projetos a integração entre diversas frentes pastorais, por exemplo: se o projeto tem como objetivo a evangelização dos jovens, é preciso envolver todas as pastorais e movimentos que existam na paróquia na realização desse objetivo.
4. A comunicação e a formação dos agentes pastorais
Uma etapa fundamental no processo de implementação de novos projetos e estratégias evangelizadoras é o investimento no processo de comunicação e na formação dos agentes pastorais.
Ganhar a confiança dos participantes do projeto é fundamental para o seu sucesso. Não adianta você apenas comunicar o que será feito. É preciso ganhar a confiança e a credibilidade dos envolvidos, só assim será possível tirar do papel o que foi planejado.
Uma comunicação planejada e com uma linguagem positiva deve convergir com uma formação alinhada com a proposta do planejamento.
E, também, lembre-se de investir em recursos financeiros, humanos e materiais na comunicação e formação. Tudo isso contribui para o desenvolvimento da sua equipe pastoral.
5. Comemore os resultados
Por último, mas não menos importante, quero apresentar um item fundamental na integração pastoral. É muito comum planejarmos e executarmos, porém avaliar é incomum. Rapidamente pense em qual atividade do projeto pastoral sua comunidade avaliou de forma realista e concreta?
Para o Papa Francisco “a comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda” (Evangelii Gaudium).
O processo de avaliação é tão importante quanto o desenvolvimento do plano, é na avaliação que você irá identificar os erros e acertos, e também conseguirá mapear os resultados alcançados. Eles, com certeza, são o “combustível” para que o plano continue a ser executado.
Outro ponto importante, dentro do processo de avaliação, é que os envolvidos começam a “dar nome certo às coisas”. Muitas vezes culpa-se a ideia do projeto e raramente a sua execução. Com a avaliação isso provavelmente não ocorrerá, pois se as atividades previstas não foram realizadas como deveriam, logo os resultados podem ser comprometidos, justamente porque não houve a execução correta. Há também que se fazer uma avaliação realista.
Para todo projeto é preciso definir uma meta a ser alcançada. Metas são números, ou seja, é quantitativa. Portanto, quem está conduzindo a elaboração do plano e dos projetos contidos nele, deve sempre traçar metas. Por exemplo: Se a comunidade se comprometeu a executar um projeto de retiro de experiência de oração para atrair novas pessoas para o grupo de jovens, qual é a meta de pessoas a serem alcançadas com o encontro? Qual a meta de engajamento no grupo após a realização do retiro?
Para concluir as avaliações, comunique a data em que irá acontecer, apresente os resultados, mostre o quanto foi importante o projeto e como ele trouxe frutos para a comunidade. E se ele não alcançou o resultado esperado, analise o que precisa ser melhorado.
Conclusão
Se o processo de integração pastoral não acontece, precisamos compreender melhor o que queremos realizar. É necessário ter claro qual é a missão, os objetivos e as metas. Temos que ter a coragem de buscar na profissionalização da evangelização mecanismos que nos auxiliem na realização das atividades evangelizadoras.
Jean Ricardo
Empreendedor na evangelização, apaixonado por planejamento e marketing digital. É CEO da Dominus Evangelização e Marketing, comanda o time de evangelizadores. O seu coração está na evangelização!
Referências biográficas
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas, Organização e Métodos: uma abordagem gerencial. 14. Ed. – São Paulo: Atlas, 2004.
MOTTA, Paulo Roberto. Transformação organizacional e teoria e a prática de inovar. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.
Papa Francisco. Evangelii Gaudium. Vaticano, 2013.