Quando falamos em liderança, muitas características, boas e ruins podem vir à nossa mente. Com certeza, dentro da sua realidade na Igreja, você teve ótimos líderes e outros que não foram tão bons assim.
Mas, você já parou para pensar, o que torna uma pessoa líder? Será que é a função que ela ocupa na hierarquia ou a postura que essa pessoa tem perante os acontecimentos e pessoas?
E foi para falar sobre liderança, e mais especificamente para nos apresentar as características do líder servidor, que o Dr. Carlos Ferrara Junior palestrou no Evangeliza Summit, no último domingo, dia 22 de Outubro.
Liderança X Chefia
Para algumas pessoas falar sobre liderança é exaltar o poder, a capacidade de mandar e desmandar em algo ou alguém. Esse modelo do chefe autocrático tornou-se bem comum em uma época em que nossos pais e avós saiam para trabalhar todos os dias e encontravam no seu setor o aquele chefe, muitas vezes carrancudo e autoritário.
Mas não se engane, esse modelo ainda sobrevive em muitas instituições, inclusive dentro das nossas paróquias, comunidades e congregações.
Porém, o mundo está em constante evolução, graças a Deus! E com a mudança de mentalidade sobre as organizações, hierarquias e suas competências, o líder aparece como uma pessoa que inspira outras pessoas!
Se o chefe tem a necessidade de mandar, cobrar e pressionar os seus subordinados a concluírem o seu trabalho, o líder inverte essa lógica e acompanha de perto todo o processo com as pessoas ao seu redor, sempre reconhecendo o comprometimento individual de cada pessoa.
Então, vamos conhecer melhor os tipos de liderança que o Dr. Carlos apresentou em sua palestra no Evangelizar Summit?
A liderança autocrática
Apesar de carregar o nome de líder, ele segue uma linha muito parecida com o chefe que falamos acima. Por isso a liderança autocrática é um dos mais clássicos modelos de gestão.
A autocracia se refere a uma forma de governança centrada em uma única pessoa, é ela que detém todo o poder sem restrições. Ou seja, é o contrário de democracia, um sistema de governo em que o povo exerce a soberania.
O líder autocrático geralmente é muito resistente a mudanças e contrariedades e deseja que todos sigam as ordens passadas sem questionamentos.
Além disso, a liderança autocrática é bem ligada ao sistema de punição e recompensas, já que as decisões desse tipo de líder costumam ser mais rígidas.
Mas esse modelo de liderança traz estabilidade e decisões são mais ágeis, pois não há discussões entre os membros da equipe ou mesmo entre o líder e os liderados.
Mas, como percebemos, esse não é o melhor modelo de liderança para a vida pastoral!
A liderança democrática
Como falamos antes, a democracia significa “o poder que vem do povo!”
Então, o modelo de liderança democrática é aquele em que os liderados participam de todos os processos de tomada de decisão, em conjunto com o líder.
Nestes casos, o poder decisório não se concentra naquele que ocupa posição de liderança, mas sim é distribuído entre os demais membros da equipe.
Por isso, o líder democrático precisa criar um ambiente favorável para a troca de ideias, para a diversidade e para o feedback horizontal.
A liderança democrática é um modelo bem interessante de gestão, mas também pode apresentar algumas desvantagens. Entre elas, os processos decisórios, que tornam-se longos e exaustivos, já que se faz necessário consultar todos os liderados antes de bater o martelo, até mesmo em decisões mais simples.
Também em momentos de crise, faz-se necessário que uma liderança seja mais firme, objetiva e independente para colocar as coisas no eixo novamente. E é exatamente nesses períodos, que esse tipo de liderança democrática pode falhar, apresentando mais dificuldades em “tomar a frente” das situações, impor sua autoridade ou firmeza.
O modelo de liderança liberal
Não é um modelo comum ou popular de liderança, já que o gestor liberal concede plena autonomia para que os liderados executem suas tarefas e tomem suas próprias decisões no dia a dia do trabalho.
Geralmente, os líderes liberais são aqueles que não costumam influenciar a tomada de decisão e nem guiar o grupo durante os projetos e tarefas. Se for possível, ele dá até um passo atrás para permitir que os seus liderados consigam se desenvolver e liderar.
Entretanto, caso o grupo encontre algum problema durante a sua jornada, o líder liberal deve ajudar a resolvê-lo. Assim, a maior vantagem da liderança liberal, é a forte capacitação dos liderados e o incentivo para que eles desenvolvam melhor o seu talento.
O processo liberal funciona bem em equipes experientes, que já estão muito bem entrosadas, situações que geralmente não encontramos dentro de nossas comunidades.
Além disso, a Igreja sempre trás em si a cultura do acompanhamento, afinal nunca estamos prontos ou sozinhos na caminhada com Deus. Há muito mais chances de errarmos o caminho quando estamos sozinhos!
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Liderança servidora
A Liderança servidora tem como missão valorizar as pessoas ao mesmo tempo que une forças para o crescimento da instituição!
Esse modelo de liderança busca o equilíbrio entre alcançar metas, influenciar os colaboradores, bem como desenvolver talentos, aproveitando todas as habilidades de cada liderado.
Liderança servidora é um termo bastante utilizado por empresas que possuem uma postura mais humanizada com relação aos seus colaboradores. Trata-se de uma filosofia de gestão cujo líder está comprometido com o desenvolvimento e bem-estar dos liderados para que alcancem seus objetivos.
Quando falamos em servir, não é tornar-se o bajulador e querer agradar a todos, o tempo todo! Isso não é servir, mas servidão!
A liderança é um método interessante e inteligente!
Na prática, o líder fornece todas as orientações necessárias para a execução de determinada tarefa, e depois de um determinado período, o líder vai ao encontro dessa pessoa para dizer:
“Oi, está tudo bem com a tarefa? Você precisa de alguma coisa? Como eu posso te ajudar para que você execute bem essa função?
Em outras palavras, a liderança vai ao encontro das pessoas, cuidando de suas necessidades, para trazer o apoio e fornecer soluções!
O líder servidor é aquele que sabe ouvir atentamente e cuida das pessoas!
Características do líder servidor
Além de todas as características que já mencionamos sobre o líder servidor, ele precisa desenvolver (nem todo mundo já nasce com essas qualidades, por isso devem ser desenvolvidas) determinadas características que são fundamentais para esse modelo de liderança. São elas:
- Ouvir e valorizar diferentes opiniões;
- Cultivar uma cultura de confiança;
- Empenhar-se em desenvolver outros líderes;
- Compartilhar “o poder” com outras pessoas;
- Encorajar todos ao seu redor.
Dessa forma, Dr. Carlos encerrou a sua palestra inspiradora dizendo:
“Estamos no mundo para servir, não para ser servidos. Seja você um líder servidor!”
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